23/04/2026 strategic-culture.su  5min 🇸🇹 #311978

Por que, em pleno ano eleitoral, a esquerda brasileira impõe tirania de travestis ?

Bruna Frascolla

Esquerda brasileira coloca travesti que processa críticas na Comissão da Mulher, priorizando identitarismo em ano eleitoral.

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Imagine o leitor que o um homem vá para uma casa legislativa e se dedique a gritar FEIA ! HORROROSA ! para uma parlamentar. A mulher é de meia idade e tem um aspecto bem cuidado, ainda que não dê sinais de vaidade. Com certeza não tem um físico para estampar revistas como a Playboy, nem vaidade suficiente para ir parar na capa da Vogue, mas eu não diria que é feia. É uma mulher normal. Portanto, se existe uma conduta que merece ser qualificada de machista, é a do homem em questão. Há parlamentares de fato feios por aí, mas creio que ninguém se dê ao trabalho de gritar "feio" e "horroroso" para eles esperando incomodá-los. Só mesmo um machista acharia que uma mulher, no exercício do seu mandato, tem que se parecer com uma capa de revista e ser obcecada com a própria aparência.

O caso deu-se com a deputada federal Clarissa Tércio (PP/PE) no dia 8 de abril, justamente na Comissão da Mulher no Congresso brasileiro. A deputada é de direita, casada com um tele-evangelista. Em pleno ano eleitoral, porém, os governistas acharam que era uma boa ideia colocar uma travesti na presidência da Comissão da Mulher. E trata-se de ninguém menos que Érika Hilton (PSOL/SP), a principal responsável pelo primeiro asilo político concedido a uma brasileira pela Europa desde a redemocratização.

Conforme expliquei em maior detalhe à época  aqui na Strategic Culture, o Supremo Tribunal Federal tomou uma série de decisões que poderiam, a depender da vontade do juiz, colocar na cadeia por crime de racismo (!!) quem dissesse que mulheres trans são homens. Érika se classifica tanto como  travesti, quanto como trans. Ela, portanto, se dedica a processar montanhas de internautas brasileiros: só no primeiro semestre de 2021, foram  50 pessoas. Em 2020, ela havia processado Isabella Cêpa e conseguido levar o caso ao Supremo Tribunal Federal, pedindo uma pena de 25 anos de cadeia. Tamanha perseguição estatal (pois Érika Hilton se vale da simpatia dos procuradores) levou Isabella Cêpa a fugir do Brasil e buscar asilo na União Europeia, no que obteve sucesso. A novidade é que, depois disso (por causa disso?), o Supremo deu pra trás e decidiu que Isabella Cêpa não deveria ser presa por dizer que Érika Hilton é um homem. Ainda assim, a travesti continua processando Deus e o mundo por não acreditarem que mulheres têm pênis. A última vítima conhecida é um apresentador de TV chamado Ratinho, de quem Hilton e o Ministério Público exigem 10 milhões de reais (cerca de 2 milhões de dólares). Que brilhante ideia do governo colocá-la para presidir a Comissão das Mulheres na Câmara!

Voltemos então à confusão na Câmara. O homem que foi lá xingar a deputada de direita fazia parte de uma claque que aplaude a governista Érika Hilton e se manifesta contra as oposicionistas. Sendo bem audíveis os xingamentos, e bem visível o seu autor, esperava-se que a pessoa que presidia a comissão - Érika Hilton - tomasse providências. Diante da inação, um deputado foi tirar satisfações e tomou o celular do homem desconhecido. Só assim Érika Hilton interveio: para reclamar do ato do deputado. A confusão foi parar na delegacia; e o homem,  identificado como um ex-candidato a vereador pelo PT, vai responder pelo de crime de injúria.

O xingamento do militante não foi um raio em céu azul. A agressividade de Érika Hilton na comissão da mulher é notória, e a deputada Rosana Valle (PL-SP) afirmou, no  mesmo dia da confusão, que poderia acionar a lei Maria da Penha, pois parecia que ia apanhar de Érika, que tem força de homem. Em 2024, a travesti chamou, na câmara, a oposicionista Júlia Zanatta (PL/SC) de "horrorosa", "ultrapassada" e mandou-a ir hidratar o cabelo: atitude mais adequada em disputa de ponto na noite do que num debate na Câmara.

Mas ninguém pode dizer que Érika Hilton não cuida da cabeleira lisa e loura que esconde suas origens africanas. Queridinha de eventos de moda, chegou a faltar a uma votação importante para o seu partido para ir  a um evento da grife italiana Bottega Veneta. Em seu Instagram, abundam fotos típicas do mundo da moda, com artigos de luxo e poses de modelo. Fica a questão, portanto, de se a política é realmente uma prioridade. No fim, entendem-se os xingamentos dirigidos a Júlia Zanatta e a Clarissa Tércio: elas são mulheres normais, mais parecidas com mães e donas de casa do que com capas de revista. E assim vemos como a exaltação de travestis e transexuais está intimamente conectada com a redução da mulher a estereótipos de fato machistas fomentados pelo mercado.

A bem da verdade, Érika Hilton é o resultado concreto da esquerda identitária que ganhou força na década de 2010 por meio das redes sociais estadunidenses. É uma esquerda muito online, muito capitalista, fútil e viciada em aparências. Num país que deixou de ter indústria e confia no "setor de serviços" para gerar renda, emprego de verdade é artigo de luxo e a classe média encolhe. Nos maravilhosos índices do governo, motoristas de Uber (dos quais  45% têm ensino superior) contam como empregados.

Resta ao governo usar de políticas identitárias para fingir que a sociedade vai bem só porque enfrenta o racismo, o machismo e a "homotransfobia", criando reservas de vagas para grupos oprimidos. Nisso, segue o capital financeiro, que criou os rankings ESG. Em parte alguma se preza pelo trabalho e competência, mas antes pela representatividade: ou seja, em botar em lugar de destaque alguém com os marcadores identitários certos a fim de ostentar virtude. Para encenar essa ópera bufa, nada melhor do que entronizar uma travesti com roupas de luxo e fingir que a justiça social existe no Brasil.

As urnas hão de castigar.

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