18/01/2026 strategic-culture.su  6min 🇸🇹 #302184

 L'Iran sur le pied de guerre : Trump menace d'intervenir pour «soutenir les émeutiers». Téhéran menace les intérêts américains et célèbre le «Conquérant de Khaybar»

Teerã derrota uma nova revolução colorida: o que isso significa para o mundo ?

Raphael Machado

A lição iraniana precisa ser aproveitada por todos os países contra-hegemônicos num cenário em que as revoluções coloridas voltam a ser uma ferramenta comum de imposição da vontade do hegemon unipolar.

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Já estamos praticamente acostumados. Apesar de recentemente terem havido muitos protestos falsamente categorizados como revoluções coloridas, quando vemos protestos particularmente violentos e organizados no Irã, de um modo geral, já sabemos que estamos lidando com uma revolução colorida.

As reações ocidentais são tão previsíveis e automáticas que parecem mecânicas. Independentemente das circunstâncias concretas por trás dos eventos, o Ocidente sempre transforma protestos no Irã em algo relativo às "mulheres oprimidas", mesmo quando não há nenhuma conexão. É como se o Ocidente ainda não tivesse realmente superado o fracasso da última tentativa de revolução colorida em larga escala, em 2022-2023, após o falecimento de Mahsa Amini.

É por isso que apesar das ondas de protestos que se iniciaram em 28 de dezembro terem sido conduzidas por sindicatos e lojistas e estarem relacionadas a problemas concretos recentes, como a crise hídrica causada por anos de mau uso dos aquíferos iranianos e a instabilidade econômica causada por políticas econômicas impensadas do presidente Masoud Pezeshkian, rapidamente se espalharam nas redes sociais imagens mais aptas a dialogarem com o imaginário ocidental distorcido e com os perversos anseios pouco disfarçados por turismo sexual e profanação pornográfica dos corpos das mulheres iranianas.

Agora, porém, é bastante claro que quando nos referimos aos distúrbios no Irã ao longo das últimas 2 semanas, estamos falando necessariamente de duas "ondas" diferentes. Os primeiros dias viram majoritariamente manifestações pequenas e pacíficas. Já a partir do dia 31 de dezembro, porém, alguns pequenos grupos já tentavam invadir delegacias ou ocupar prédios governamentais, bem como tentavam transformar protestos pacíficos em ações violentas. Durante aproximadamente 1 semana esses esforços pareciam pontuais, eram rechaçados pelos manifestantes pacíficos e rapidamente suprimidos - ainda que já começassem a aparecer os casos de linchamento de policiais ou agentes de segurança.

De uma maneira repentina que só pode ser considerada coordenada, porém, elementos mascarados começaram a incendiar mesquitas, lojas, prédios públicos e carros, bem como a fazer uso de armas de fogo e cortantes contra agentes públicos, inclusive bombeiros. Os relatos indicam que 250 mesquitas, mais de 800 lojas, 182 ambulâncias, 265 escolas, 3 bibliotecas e 4 cinemas teriam sido danificados ou destruídos. Pior do que isso, centenas entre policiais, bombeiros, guardas revolucionários e simples transeuntes foram assassinados, alguns deles degolados.

Agora começam a aparecer vídeos mostrando as ações coordenadas e nada espontâneas de elementos mascarados retirando armas de dentro de mochilas e orquestrando a destruição de prédios e o uso de violência contra outras pessoas. A coordenação para essas ações, obviamente, se dava através da internet.

E é aí que podemos testemunhar como se deu a supressão da revolução colorida. Porque assim que o governo iraniano percebeu que as manifestações haviam sido cooptadas por insurgentes atuando de forma coordenada, a internet foi desativada a nível nacional. Qual não foi a surpresa quando, repentinamente, alguns "pontos de luz" começaram a aparecer na "escuridão virtual" iraniana. É que "alguém" estava distribuindo aparatos Starlink para os líderes da revolução colorida.

A partir daí, o governo só precisou rastrear esses poucos usuários de internet e alcançá-los, inclusive em suas casas. Com isso, após identificar os usuários de Starlink, então o governo simplesmente derrubou o sinal do Starlink e em questão de apenas 2 dias os atos de vandalismo e destruição acabaram. O que há de "revolucionário" aqui, fundamentalmente, além da estratégia utilizada, é como o Irã conseguiu derrubar o Starlink.

Alguns dizem que o Irã teria utilizado o sistema russo de guerra eletrônica Murmansk, outros mencionam o sistema russo Tobol, outros alegam o uso de tecnologia chinesa. O que se sabe com certeza, porém, é que foi brilhante o governo iraniano ter simplesmente deixado os terroristas agirem e, inclusive, se conectarem ao Starlink para identificá-los mais facilmente.

Logo em seguida, ademais, o governo convocou a população iraniana para ir às ruas se manifestarem contra os ataques terroristas e em defesa do país. E, de fato, milhões de pessoas foram as ruas. E é importante ressaltar isso para falar sobre a cobertura midiática ocidental de todo esse processo.

O mundo raras vezes viu tanta propaganda absolutamente falaciosa produzida simultaneamente sobre os eventos. As mentiras iam do número de arruaceiros (as mídias ocidentais falavam em milhões, quando em Teerã nunca passaram de 40 mil manifestantes em geral, entre pacíficos e violentos), passando por notícias de que Khamenei teria fugido do país ou que o governo teria perdido o controle e várias cidades. E quando percebeu-se que os subversivos estavam sendo suprimidos, começou a "propaganda negra" em que se acusava o Irã de matar até 20 mil manifestantes, sem que se apresentasse qualquer prova.

Em paralelo, os EUA brandiam ameaças militares contra o Irã. Até subitamente pararem e voltarem atrás, inclusive enfatizando que o governo iraniano teria executado apenas criminosos perigosos que estavam atirando contra a polícia.

O que explica a mudança de comportamento?

Tudo indica que os EUA esperavam que o processo de revolução colorida duraria mais tempo. A ideia seria manter Teerã num tensionamento constante, sendo forçada a usar da violência sem efetivamente conseguir suprimir os inimigos. Com isso, se construiria o casus belli para uma ação militar. Mas o Irã, simplesmente, liquidou as insurgências armadas em questão de poucos dias, antes de permitir que se gerasse "momentum" que permitisse a realização de um ataque militar significativo no Irã, facilitando uma mudança de regime.

O fato de que hoje a polícia iraniana apreendeu 60 mil armas num navio, as quais teriam entrado clandestinamente no país, mostra que se projetou para o Irã um cenário semelhante ao da Líbia ou da Síria. Recordamos aqui, aliás, que na Líbia, a própria embaixada dos EUA atuou como núcleo de tráfico internacional de armas para os rebeldes wahhabis.

Essas armas provavelmente seriam distribuídas para os "manifestantes" num contexto "ideal" de impasse entre o esforço governamental de repressão e o recrudescimento das forças antigoverno, potencialmente radicalizadas pela própria repressão policial, em um movimento dialético.

Sem agentes no chão, não faria sentido empreender uma ação militar contra o Irã. E a tragédia parece ser total para Israel e EUA quanto aos objetivos de mudança de regime. É como se tivessem perdido todos os ativos locais. Sem voltarmos os olhos para a guerra entre Irã e Israel em 2025, recordaremos que os movimentos iniciais envolveram infiltrados utilizando drones para destruir sistemas antiaéreos e radares de perto, mesma tática utilizada num atentado terrorista realizado dentro do território russo.

Com a rápida e eficiente ação iraniana, não havia mais ninguém para desativar as defesas iranianas, ninguém para receber as armas traficadas para tentar transformar o vandalismo em revolta armada, ninguém para se aproveitar do caos causado por um ataque aéreo em massa pela força aérea dos EUA.

A lição iraniana precisa ser aproveitada por todos os países contra-hegemônicos num cenário em que as revoluções coloridas voltam a ser uma ferramenta comum de imposição da vontade do hegemon unipolar.

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